Parques e Jardins

Jardins do Palácio de Cristal
Imagem:  Fernando Mendes PedroCC BY-NC-SA - Alguns Direitos Reservados

Os parques e jardins são um convite ao lazer e descanso, a uma pausa prolongada, um convite ao prazer de andar a pé e um reencontro com a história destes locais, muito dos quais desconhecidos. Mesmo ao virar da esquina, esta cidade pode surpreendê-lo pela beleza de um espaço verde por descobrir.

Percursos variados e repousantes podem ser feitos nos espaços verdes da cidade, destinados a todas as idades e com diferentes encantos ao longo das estações do ano. A riqueza do património natural e a reconstituição de ambientes esquecidos dos nossos espaços rurais propiciam passeios muito didáticos. Por outro lado, a variedade dos equipamentos de apoio existentes, permitem prolongar a estadia e realizar outro tipo de atividades.

Os parques e jardins da cidade do Porto que selecionamos para estes percursos localizam-se em três grandes zonas da cidade que definimos da seguinte forma: Centro Histórico, Baixa e Boavista / zona Ocidental / zona Oriental. Para cada uma das zonas destacamos os parques e jardins que consideramos mais representativos e para os quais sugerimos pequenas rotas, testadas, que incluem a duração e a extensão aproximadas da caminhada, bem como os equipamentos e serviços existentes em cada um deles. Estes trajetos propostos são apenas indicativos, deixando para si o prazer de descobrir outras alternativas. Planeie os passeios para as horas mais agradáveis do dia e tenha atenção aos horários de funcionamento dos vários espaços. Recomenda-se, por último, o uso de vestuário e calçado confortável. Estes percursos foram organizados tendo em vista programas de três dias.


Centro Histórico, Baixa e Boavista

Jardins do Palácio de Cristal - 75 minutos

Os Jardins do Palácio de Cristal, a Quinta da Macieirinha e a Quinta Tait são as três unidades que compõem este magnífico parque, a partir do qual se desfrutam deslumbrantes panorâmicas do rio Douro e do mar. Os Jardins românticos do Palácio de Cristal, projetados no século XIX pelo arquiteto Émile David, sempre foram um palco privilegiado de vários eventos culturais, sociais, espetáculos e divertimentos públicos de vária ordem e mesmo aparatosas exposições, como a Exposição Internacional de 1865, ou a Exposição Colonial de 1934. Em 1956 foi construído o pavilhão multiusos (atual Pavilhão Rosa Mota) para receber o mundial de hóquei em patins em 1952. O atual edifício é da autoria do arquiteto José Carlos Loureiro e substituiu o Palácio de Cristal.

Os Jardins do Palácio de Cristal abrem-se no Jardim Émile David que possui, além de fontes e estátuas alegóricas às estações do ano, belos exemplares de rododendros, camélias, araucárias, ginkgos e faias, entre muitos outros.

A Avenida das Tílias constitui o eixo mais marcante deste parque e está ladeada pela Biblioteca Municipal Almeida Garrett e pela Galeria do Palácio, a Concha Acústica e a Capela Carlos Alberto (Rei da Sardenha). A Biblioteca Municipal Almeida Garrett integra-se num ciclo de reabilitação dos Jardins do Palácio de Cristal, representando um espaço polivalente com várias áreas funcionais. Na Avenida das Tílias situam-se estratégicos miradouros que proporcionam vistas panorâmicas do rio Douro e da cidade. Os jardins temáticos estão também representados, nomeadamente pelo Jardim das Plantas Aromáticas, Jardim das Medicinais e ainda o Jardim dos Sentimentos onde, além do singular simbolismo, se encontra a estátua "DOR" de António Teixeira Lopes. Para os apreciadores torna-se indispensável a visita ao Jardim do Roseiral que está enriquecido com significativos elementos do património artístico da cidade. No mesmo alinhamento surgem sete magníficos exemplares de palmeiras da Califórnia. O bosque, repleto de frondosas árvores, refrescantes sombras e sinuosas cascatas, constitui o local ideal para realizar uma refeição ligeira. Igualmente aprazível é a avenida dos castanheiros-da-Índia que ladeia um parque infantil e faz a fronteira com um bosque de camélias e carvalhos centenários.

O Museu Romântico está localizado na Quinta da Macieirinha, espaço marcadamente romântico, recheado de espécies vegetais centenárias e exóticas.
Separada pela Rua de Entrequintas, a Quinta Tait é um local com uma panorâmica de onde se avista a barra do Douro. Os jardins da quinta possuem canteiros de rosas, camélias, brincos-de-princesa e um majestoso Liriodendron tulipifera.

Outros Parques e jardins na zona:

Mais conhecido por Jardim da Cordoaria, foi transformado em jardim em 1866.

Situa-se no que resta da ex-Companhia Hortícola Portuense, tendo sofrido obras de recuperação em 1998.

Construído em 1897 é considerado o último jardim romântico do Porto.

Criado em 1951, é uma unidade da Universidade do Porto, aberta ao público.

Conjunto projetado por Nicolau Nasoni. O jardim terá sido construído entre 1743-1748, sofrendo remodelações no século XIX.

Vulgarmente conhecida como Rotunda da Boavista. O Jardim com o mesmo nome foi construído em finais do séc. XIX com o propósito de servir de envolvente embelezada ao Monumento dos Heróis da Guerra Peninsular.

Conhecido como Jardim da Praça da República foi construído no terreiro destinado a exercícios militares do quartel de Santo Ovídio e reconvertido em jardim em 1915-1916.


Zona Ocidental

Parque da Cidade - 90 minutos

O Parque da Cidade do Porto é o maior parque urbano do país, com uma superfície superior a 80 hectares e cerca de 8,5 km de caminhos. Previsto no Plano Geral de Urbanização do arquiteto Robert Auzelle nos anos 60, foi depois projetado pelo arquiteto paisagista Sidónio Pardal e abriu ao público em 1993.

O projeto fundamentou-se num aturado estudo sobre a história da arquitetura paisagista e, em particular, dos parques mais paradigmáticos construídos a partir do século XVII. Em resultado destes estudos o conceito que enforma este parque agrega influências estéticas e soluções técnicas oriundas do Barroco de Le Nôtre, da Escola Paisagista Inglesa de Kent, Repton e Paxton, da poética do sublime do romantismo alemão exemplarmente expressa nos parques de Pückler, da paisagem campestre de Ölmsted, do neoclassicismo de Alphand até ao minimalismo de Bey.

A paisagem rural pré-existente, dominada por um vale ocupado por lameiros e exposto à intrusão visual e acústica do trânsito da Avenida da Boavista, foi profundamente transformada com movimentações de terras que envolveram mais de 2,5 milhões de m3 de aterros.

O resultado é uma paisagem onde o visitante não se apercebe destas profundas transformações e colhe a expressão de uma paisagem naturalista, propícia a uma fruição confortável e sossegada que faz o desejado contraste entre o espaço urbano codificado e o espaço livre descodificado que se quer encontrar num parque urbano. O sistema de drenagem, conjugado com modelação do terreno, constitui um trabalho inovador que contribui para a diversidade da paisagem, onde se configuram dezenas de charcas que emergem nos dias de chuva e também com a rega. Os três grandes lagos artificiais são integralmente alimentados pela toalha freática e por nascentes. É interessante descobrir que a paisagem do parque, em resultado de uma profunda transformação do sítio, alcança o superlativo da ideia de "belo natural".

O discurso arquitetónico controla a escala das unidades de paisagem dotadas de interioridades que conferem dimensão e desafogo ao parque. Os elementos construtivos são muito simples, trabalhando com um relevo suave, maciços de vegetação em contraponto com clareiras relvadas, lagos, estadias e muros em granito com uma expressão de intemporalidade.

Parque de Serralves

A paisagem de Serralves - considerando-a assim pelo facto de a reconhecer enquanto processo e epifenómeno de transformação de um sítio, partindo de pressupostos produtivos e culturais e condicionado pela ecologia do sítio - é uma referência ímpar do património paisagístico e arquitetónico português, sendo espacialmente um sistema artificial e arquitetónico que completa, sintetiza e simboliza uma aprendizagem e conhecimento das condições da territorialidade no tempo e uma cultura: Portugal e os séculos XIX e XX. No tempo e no espaço, pode delimitar-se a construção do binómio espaço produtivo - espaço de habitar, que num passado recente se constituiu como uma entidade de cultura: a quinta, os vestígios de uma paisagem construída em jardim, no século XIX, a casa de Serralves e o seu jardim, o Museu de Arte Contemporânea e a paisagem envolvente.

Os lugares configuram a paisagem de Serralves como um espaço de aprendizagem simultaneamente cénico, lúdico e produtivo, cuja organização foi determinada por fatores de produção, inspirada em ideais de natureza, em princípios ideológicos e conceitos estéticos preconizados pelos séculos XIX e XX.

A justaposição e transfiguração das condições descritas prescreveram e definiram relações de complementaridade e de indispensabilidade estruturantes e de composição entre espaços e sistemas, construindo a paisagem de Serralves como uma unidade temporal e espacial complexa, diversificada e mutante. De entre os processos de transformação saliente-se o projeto para o Jardim da Casa de Serralves, encomendado pelo Conde de Vizela ao arquiteto Jacques Grèber (1932). Pelo facto e do que se conhece até à data, é talvez o primeiro e único jardim privado construído em Portugal durante a primeira metade do século XX, obedecendo a um projeto de arquitetura de paisagem.

Os itinerários de passeio na paisagem de Serralves iniciam-se sempre a partir do edifício do Museu de Arte Contemporânea.

  • Itinerário 1 (60 minutos) - Atravessando o Arboreto Serralves, passa-se pelo Parterre lateral, atravessa-se Parterre central em direção ao lago e, deste, caminha-se até à quinta. A partir da zona da quinta pode seguir-se em direção ao Jardim de Plantas Aromáticas e Medicinais e, deste, pode retornar-se à entrada do edifício do Museu, seguindo ao longo do muro, no limite NW da Mata e contornando a NE o edifício do Museu.
  • Itinerário 2 (90 minutos) - Caminhando pela Alameda de Liquidâmbares chega-se à Casa de Serralves. Depois de observar o Parterre lateral, caminhar para o Parterre central e observá-lo a partir da Casa de Fresco. Atravessar o Parterre central até ao lago e, deste, caminhar para a quinta. A partir da zona da quinta pode caminhar-se em direção ao Jardim de Plantas Aromáticas e Medicinais, deste, seguir ao longo do muro, no limite NW da Mata, atravessando parte da zona da Mata e entrando na zona do Court de Ténis e Casa de Chá. Daqui pode seguir em direção ao Jardim do Relógio de Sol, passar pelo Roseiral e dirigir-se à saída.
  • Itinerário 3 (90 minutos) - Caminhando pela Alameda de Liquidâmbares chega-se à Casa de Serralves. Depois de observar o Parterre lateral deve continuar o percurso para Este na direção do Jardim das Cameleiras e do Arboreto do século XIX, a partir do qual pode descer até à zona do lago. Da zona do lago, seguir em direção à quinta. A partir da zona da quinta pode caminhar-se em direção ao Jardim de Plantas Aromáticas e Medicinais e, deste, seguindo ao longo do muro, pode descer-se para o caminho que liga à zona do lago, para daqui se seguir em direção ao limite Sul do Parterre central. Depois de atravessar o Parterre central e caminhando na sua álea Este pode entrar-se na zona da Casa de Chá e do Court de Ténis ou seguir para o Jardim do Relógio de Sol, a partir do qual se entra no espaço do Roseiral. Deste pode seguir-se em direção à Alameda de Liquidâmbares e seguir para o Arboreto Serralves, voltando novamente à Alameda de Liquidâmbares, a partir da qual se chega à saída.

Entrada: Rua de João de Castro. Extensão: 2,6 km.  Locais de repouso: cafetaria da casa principal; restaurante e esplanada da Casa de Chá.

Outros parques e jardins na zona:

Foi construído em finais do século XIX e contou com a participação de Émile David no seu ajardinamento.

O Parque Urbano da Pasteleira estende-se por uma área de 7 hectares de mata e constitui um elemento fundamental da estrutura verde da cidade. Integra desde 2009 uma ciclovia de 2km que liga este parque ao Parque da Cidade.


Zona Oriental

Parque de S. Roque - 50 minutos

O Parque de S. Roque, antiga Quinta da Lameira, abriu ao público em 1979. Adquirida pela Câmara Municipal à família Ramos Pinto/ Cálem, a propriedade de quatro hectares possui uma bonita casa apalaçada.

Comece o passeio a partir do portão existente na travessa das Antas. O parque apresenta logo à entrada uma fresca e frondosa mata. Siga o caminho central até uma pequena elevação com bancos de pedra - o Coreto. Retome o percurso por um trilho que passa por duas pontes sobre o lago. Por uma descida acentuada chegue a uma clareira com uma magnífica vista sobre o Douro e a zona do Freixo: está na Alameda Principal. Percorra toda a alameda, ladeada de belos relvados, e desça até encontrar uma zona de estadia. Neste largo avista as ombreiras de um portão que demarcam a entrada nos jardins mais formais. Vire à direita por uma escada até às plataformas relvadas, onde existe um lago e um parque infantil. À sua frente surge um gracioso labirinto de buxo. Deixe-se guiar pelos trilhos deste jardim e divirta-se a descobrir a sua saída. Siga em frente e contorne um jardim retangular com muitas variedades de cameleiras. Passe, então, para outro jardim adjacente à casa amarela, muito recortado com pequenos lagos, fontes e repuxos. Desça pela esquerda, pelas escadas, para admirar a fachada frontal do edifício. Encontra-se na rua S. Roque da Lameira e aqui termina este passeio. Se veio de transportes públicos, dirija-se à próxima paragem desta rua. Caso tenha utilizado o transporte individual prepare-se para a íngreme subida, retemperando forças na Casa de Chá.

Outros parques e jardins na zona:

Projetado por Jerónimo Monteiro da Costa, foi inaugurado em 1928.

Comprada no século XX por um comerciante, José do Covelo, que lhe deu o nome atual, comporta hoje cerca de 8 hectares.

Os terrenos deste espaço, propriedade da família Reid, de origem britânica, foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto em 1932. O parque desenvolve-se por uma área verde de 68.500 m2.

Uma das quintas de recreio do século XVIII. Foi posteriormente adquirida por João D’ Allen, em 1839, encontrando-se ainda na posse da família.

A Quinta de Bonjóia, com cerca de 40.000 m² engloba uma casa do séc. XVIII. Foi adquirida pela Câmara Municipal do Porto, em 1995, que realizou obras de recuperação da casa e do espaço envolvente.

Este parque urbano foi inaugurado em 2010, tendo sido o projeto da autoria de Sidónio Pardal. Tem uma área prevista de implantação de 53 hectares e, atualmente, ocupa uma área aproximada de 10 hectares.

Foi construído nos terrenos pertencentes à Quinta das Areias uma propriedade do século XVIII que englobava uma casa com capela dedicada a Nossa Senhora do Pilar, ambas desaparecidas. Em 1937 a Câmara Municipal do Porto adquire a propriedade para instalar numa área de aproximadamente 67.000 m2 o viveiro municipal.


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Data publicação 30-04-2015